




Meus
verdadeiros tesouros
Eduardo Oliva
xxxxxx Sempre tive a curiosidade de saber, como os escritores constróem suas histórias. Deitado na minha cama, olhava para o teto do quarto, pensando como eles seriam feitos. Às vezes, meus pais ficavam preocupados, quando me viam quieto no quarto por muito tempo.
xxxxxx Um dia, quando estava quase dormindo, o esboço de uma princesa apareceu de repente. Era madrugada. Sua aparência era formada por rabiscos indefinidos, em preto e branco. Fiquei surpreso com a sua aparição:
- Quem é você?
- Sou um esboço de uma princesa.
- Você é tão bonita, de onde você vem?
- Venho do Reino dos Esboços e dos Rascunhos. Quer conhecê-lo?
- Desejo sim.
xxxxxx Ela
me levou ao mundo onde havia um mar formado de figuras inacabadas e palavras
rasuradas; as folhas das árvores eram palavras soltas e fragmentos de desenhos;
o sol e a lua, um do lado do outro, eram apenas rabiscos sombreados. Apesar
deste mundo ser sem cor, era tudo vibrante.
- Os desenhistas, os escritores e os pintores visitam o Reino dos Esboços, disse a princesa esboço.
- Posso visitar este lugar a hora que eu quiser?
- Claro que sim, esse lugar é livre.
- Você já se viu pronta? Se é linda como inacabada, imagina pronta.
- Não quero ser acabada. Gosto viver aqui, onde as idéias se originam. Aqui sempre me modifico.
- Falando assim, queria ser esboço também. Bem, já está na hora de regressar. Amanhã, tenho aula cedo.
- Quando quiser voltar, é só me chamar.
xxxxxx
Com
o passar do tempo, meus pais não entendiam a minha razão de colar um monte
de rabiscos e textos rasurados nas paredes do meu quarto. Nunca disse nada
a ninguém, que os meus verdadeiros tesouros eram os rascunhos e os esboços
que faço, que são manifestações primeiras das minhas idéias. Até adulto,
deixo-me levar pela Princesa esboço.