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O criador de pássaros
Jonathan Peña Castro

 

 

xxxxxx Fazia pouco tempo que eu tinha um canarinho. Peguei-o bem novinho, para se acostumar bem à gaiola. Contudo, com uma semana de criação, começou a ficar quieto, não queria comer, parecia estressado. Tentei falar com algum veterinário, para tentar descobrir o que era. Receitaram alguns remédios, dos quais nenhum surtiu efeito.

xxxxxx Fiquei sabendo que havia um senhor na cidade que era criador de pássaros. Decidi procurá-lo, a fim de tentar curar o passarinho.

xxxxxx Cheguei em sua casa. Havia muitas árvores e o quintal era enorme. Poderia se dizer que era uma chacrinha. Quando entrei, duvidei se era a casa e o homem em questão. Não havia nenhuma gaiola ou viveiro. Perguntei onde estavam os pássaros. Ele me respondeu que estavam em todos os cantos, era só observá-los. A princípio estranhei a resposta, que somente depois fui entender. Mostrei o canário, e ele olhou, pensou um pouco e disse-me que sabia o que era. Todavia, para curá-lo, era necessário deixá-lo em sua casa durante três dias. Aceitei e perguntei quanto iria custar. Respondeu-me que não iria cobrar nada, apenas que eu fosse embora, pois queria começar o tratamento logo.

xxxxxx Passados os três dias, retornei à residência do homem. Ele me disse que a ave estava curada, que era para eu ir ao quintal, vê-la. Para minha surpresa, a gaiola em que levei o meu canarinho estava vazia. Neste momento, pensei que o sujeito estava mentindo que era criador. Eu fiquei bravo, estava prestes a xingá-lo, quando me falou para ficar calmo, que iria mostrar o canário junto com os seus pássaros.

xxxxxx Nos fundos do jardim, as árvores circundavam uma tábua, apoiada por suportes no chão. Levou-me até ao local e disse-me para não fazer nenhum movimento brusco. Pegou, então, uma mistura de grãos, farelo e quirera e outros produtos e colocou-os na tábua. Das árvores, começaram a descer pássaros de todas as cores e tamanhos, inclusive o meu canarinho.

xxxxxx Fiquei muito feliz com a festa dos pássaros, da qual participava o meu canarinho. Perguntei se poderia levá-lo. O homem me disse que era eu quem deveria saber. Neste instante, entendi o que o senhor queria ensinar-me. Que os pássaros nascem para viver livres, e não confinados em cativeiros ou "celas".

xxxxxx Não respondi nada. Apenas sorri, confirmei com a cabeça e fui embora, tranqüilo por saber que o meu canarinho estava sendo cuidado pelo verdadeiro criador de pássaros.

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