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A última palavra de Clodoaldo
Jonathan Peña Castro

 

 

xxxxxx Assim que se deitou, Clodoaldo adormeceu. E, como se fosse num piscar de olhos, no mesmo instante amanheceu. Acordou sentindo como se tivesse sido encolhido. Abriu os olhos, observou em sua volta e, para sua surpresa, tudo no quarto estava maior. O cobertor estava gigantesco e super pesado.Quando percebeu que havia mesmo diminuído de tamanho, ficou desesperado e a primeira coisa que veio à sua mente foi como o fato havia sido consumado. Pensou no que tinha feito no dia anterior, mas lembrou-se que aquilo poderia ser um sonho. Isso o acalmou e falou consigo mesmo:

- Tudo o que tenho que fazer é ficar andando por aí, que já acordo.

xxxxxx Levantou-se, ficou em pé em cima da cama e, pelos seus cálculos, estava do tamanho de uma formiga. O primeiro passo para investigar aquele mundo novo era saber como descer da cama. Pegou um fio solto do acolchoado e foi descendo, até chegar ao chão. Começou a caminhar e, à medida que andava, enxergava coisas que seus olhos, quando grandes, não reparavam: patas de insetos, pedaços de pele, fios de cabelo, sujeira e muitas outras coisas.

xxxxxx Chegou num imenso fresto, através do qual percebia-se que do outro lado estava mais iluminado. Resolveu atravessá-lo e, quando chegou embaixo, descobriu que era o vão da porta e o chão do seu quarto. Mais para o canto do vão estava uma formiga. Parecia adormecida. Ficou ansioso e foi olhar de perto. Afinal, pensou, o que poderia acontecer? Era apenas um sonho.

xxxxxx Aproximou-se e, realmente, a formiga estava dormindo. Cutucou sua pata e, no mesmo instante, ela ergueu as antenas, virou a cabeça para os lados e fugiu à toda velocidade para longe, passando por cima de Clodoaldo, machucando-o .

xxxxxx Passado o susto, começou a preocupar-se , pois se aquilo era sonho, não deveria ter doído. Decidido a descobrir se estava sonhando ou não, resolveu procurar seus pais. Talvez soubessem o que estava acontecendo.

xxxxxx Ao continuar a sua busca ouviu, de repente, vários zumbidos. Pareciam ser de pernilongo ou mosca, e se aproximavam a uma velocidade incrível. Junto com os zumbidos começaram a ocorrer vários tremores. Escutou uma voz falando:

- Não adianta fugir, vou pegá-las!

xxxxxx E junto com os tremores, que Clodoaldo deduziu serem os passos de alguém, sentiu uma forte rajada de vento, que o empurrou para trás. Ao mesmo tempo viu uma mosca cair, bruscamente, no chão. Clodoaldo pensou consigo mesmo:

- Agora percebo como os insetos sofrem!

xxxxxx O evento o fez esquecer um pouco do seu problema, logo chegando a uma conclusão: não era um sonho.Em vez de ficar desesperado, começou a refletir que fato , comida, roupa, feitiço ou magia havia causado tal fenômeno. Sentou-se no chão e pensou, pensou... Os tremores iam ficando cada vez mais fortes, mas Clodoaldo estava tão absorvido em seus pensamentos que não se deu conta. Depois de vasculhar a memória, finalmente veio a resposta do que tinha acontecido. De tão alegre que ficou, levantou-se e falou:

- Mas é claro! Eu encolhi porque... E um chinelo passa por cima dele, esmagando-o.

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