




De
bem com a vida
Isabel
Vargas
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Recebi uma ligação telefônica de uma pessoa que foi minha professora na
época da Escola Normal. Isto há mais de trinta anos.Trinta e seis para ser
mais precisa. Ao longo dos anos, em decorrência de minha atividade profissional
mantivemos contatos com uma relativa freqüência. Após a aposentadoria, sempre
que surgiam dúvidas em como proceder ela me ligava. Fortaleceu-se a relação
de confiança e amizade.
xxxxxx Pois ela ligou-me para dizer que assina o Diário da Manhã e sempre lê meus artigos e os aprecia o que, sem dúvida, deixou-me muito feliz. Recebo isto não com vaidade, mas como uma demonstração de carinho. E como é bom sermos acarinhados, encorajados, valorizados. Conversamos e disse-lhe que era resultado da maturidade, que em outras épocas não tinha a segurança que hoje tenho para escrever, pois temia a exposição. Hoje busco meus objetivos com determinação. Agora sei que é necessário definirmos o que queremos, o que precisamos e o que esperamos de nós mesmos e dos outros. Sei que nem sempre o que queremos é aquilo que realmente necessitamos. É preciso saber distinguir e ser claro conosco e com os outros. É importante reafirmar nossos desejos no aspecto profissional, afetivo, familiar e definir onde desejamos chegar.
xxxxxx É importante ser claro naquilo que pedimos (se for o caso), porque o que recebemos pode estar muito aquém do que imaginamos. Para isso é preciso curar nossas inseguranças e verbalizar nossas vontades. Ninguém é obrigado a adivinhar o que pensamos, desejamos ou esperamos.
xxxxxx É importante termos sob nossas mãos as rédeas de nossa vida. Definir prioridades, dar asas aos pensamentos, liberdade aos sentimentos, sejam eles quais forem, posto que sentimentos, emoções aprisionadas perturbam, incomodam, ocupam espaço, agigantam-se, tomam proporções maiores do que são na realidade. Depois de expostos, se encarados de frente, é possível avaliar a sua verdadeira dimensão. Deixam de aterrorizar, de ter a importância que pareciam ter quando não queríamos exteriorizá-los. O que parecia gigantesco, ameaçador, assume suas reais proporções.
xxxxxx É assim que a insegurança se afasta, as dores se amenizam, as feridas se curam e podemos prosseguir com mais leveza, mais simplicidade, mais despojamento, pois criamos espaço para que coisas novas cheguem a nossa vida.
xxxxxx É importante utilizar a dor para crescimento pessoal, tal qual as ostras, cujas pérolas são produtos da dor. Assim reorganizamos a experiência pessoal, transformando nossa própria realidade.