




Limpando
gavetas... dos armários e da alma
Isabel
Vargas
xxxxxx Ao longo da vida, vamos acumulando vivências, recordações,
objetos. Algumas maravilhosas, ótimas, outras nem tanto. Muitas vezes agimos
no presente de determinada maneira em conseqüência das vivências do passado.
xxxxxx Se formos inteligentes, procuraremos reproduzir as coisas boas e descartar as coisas que nos trazem más recordações, nos aborrecem, nos entristecem, relembram e reafirmam mágoas.
xxxxxx Os atropelos do dia a dia muitas vezes não nos deixam parar, refletir e fazer um balanço dos fatos de nossa vida, dos nossos sentimentos, das nossas emoções. É certo que acumulamos mais do que precisamos. Podemos viver com muito menos do que temos e muitas vezes, embora não percebamos; carregamos um fardo desnecessário. Certos objetos entulham nossos espaços físicos, assim como certos sentimentos poluem nossa alma, não dando lugar para coisas novas e não deixando nascerem e florescerem sentimentos bons.
xxxxxx Quando chegamos ao final do ano, costumamos arrumar nossa casa para festejar o Natal e receber o ano que se aproxima com tudo em ordem. Assim como fazemos faxina nos objetos, devíamos fazê-la na alma. Às vezes, é difícil jogar coisas fora, desfazer-se delas, mas temos que aprender a fazer isso. Tudo aquilo que guardamos em excesso acaba pesando. Então, joguemos esta carga fora.
xxxxxx Muitas vezes me dizem: isto me lembra tal pessoa, tal situação. Eu também dizia isto. Só que as pessoas são muito mais importantes que os objetos. E elas, só podemos carregar em nossos corações. Aqueles que amamos um dia, nos acompanharão na eternidade. Quando daqui partirmos, não levaremos nada, a não ser o que tivermos gravado em nossa alma. Muitas vezes são recordações gravadas à fogo, doloridas. Mas a dor passa. Como tudo passa.
xxxxxx Então, nessa época, aproveitemos para nos despojarmos das dores, das mágoas, das tristezas, para recomeçarmos com o coração leve e a alma limpa. Aí, sim, o Natal terá acontecido dentro de nós e poderemos recomeçar, como cada dia recomeça, único, cheio de esperança, mesmo que chova, porque a chuva faz brotar as sementes de uma nova vida.