




No
vermelho
Rubo Medina
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O
renomado Professor fazia parte do Conselho de Classe da escola. E morria
de pena quando tinha que tomar decisões desfavoráveis aos seus alunos.
xxxxxx No final do ano, quando o Conselho se reunia, era a época em que ele mais sofria. E até passava noites em claro, preocupado. Hoje, no entanto, ao terminar a reunião, ele teve a absoluta certeza de que "poderia colocar a cabeça no travesseiro e dormir como um anjo", porque, no final das contas, "a batata quente não ficou na sua mão." Em outras palavras, o voto final. Alguns dias atrás, uma aluna o procurara.
- Professor,
tô pendurada em português, mas não posso tomar bomba. Preciso do diploma
pra pegar uma promoção. O sr. pode me ajudar. Seu voto conta muito no conselho,
eu sei. -
Vou ver o que posso fazer! Cheia de esperança, a menina foi embora, jogando
beijinhos.
- Prof. o sr. é fera! É por isso que eu te amo... Feliz com aquele carinho, o phD foi à secretaria e consultou on-line o fichário. A ficha da aluna foi um balde-de-água fria no "fera... eu te amo".
- Meu Deus, ela é pt - perda total. Como vou aprovar essa aluna afogada no vermelho, gente?
xxxxxx Isso aconteceu algumas horas antes. Agora ele andava pensativo pelo corredor da escola, ao lado dos outros colegas, quando a aluna veio correndo na sua direção.
- Prof., o Conselho me aprovou. Nem preciso dizer. O sr. já sabe, né? E desdenhosa, esclareceu, puxando a mini-saia pra baixo:
- Nem precisava! Se fosse reprovada ia dar na mesma. Consegui uma peixada no escritório. Agora sou redatora-chefe. E olha que nem gosto de português. Tô nem aí? O importante é o salário que vou receber...
xxxxxx Naquele momento, o renomado professor teve duas certezas: uma, de que ele realmente estava no Brasil. E a outra: quem tem qi, não precisa de QI.