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Dragão tatuado no braço
Thais Lemes Zimerer

 

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xxxxxxSempre teve um "pé na lama". Sentia uma atração pelo errado que não sabia explicar. Adorava motoqueiro, cabeludo, tatuados e afins. Aos treze anos, fez um cogumelo no tornozelo, matava aula, ia a bares e fingia que bebia, só para aparecer. Achava aquilo tudo o máximo! Comprou um maço de cigarros e aprendeu a fumar na marra. Sábado era o dia de glória. Botava uma jaqueta com estampa de caveira (que ela mesma desenhou e pintou), um jeans apertado, tatoo à mostra e cigarro na mão... Passava o dia todo no shopping, fumando, andando, andando e fumando...

xxxxxx Um "amigo" da escola deu-lhe uns comprimidos certa vez... Ela amou e começou a comprá-los. Na seqüência vieram outros comprimidos. Começou a beber e fumar outras coisas. Como conseqüência, repetiu de ano três vezes consecutivas. Aos 21 quase foi indiciada por estelionato, formação de quadrilha, apropriação indevida e falsidade ideológica. Se não fosse a intervenção do padrasto (pobre, mas influente) teria ido "em cana".

xxxxxx Com a cara e a coragem mudou-se pra longe, lugar turístico, mente aberta, mais liberdade e novas experiências. Envolveu-se com o traficante da cidade. Lindo, olhos verdes, carioca, dragão tatuado no braço (aquele da baby Consuelo) e crack! Não tinham morada certa. Pulavam de pousada em pousada. A mala sempre pronta para fugir dos "homi" e adrenalina sempre a mil.

xxxxxx Com o tempo foi cansando, emagrecendo e tentando (em vão) persuadi-lo a parar com aquilo, vender pastéis na praia, ter um filho e violetas na janela... Deus é sábio e o filho nunca veio. Apesar da falta de lucidez, algo lá dentro dizia que aquilo não estava certo, que tinha que mudar... A razão falou mais alto e ela foi embora, malinha na mão e nem um centavo no bolso! Amigos não tinha mais, emprego ninguém lhe dava... De onde menos esperava veio a ajuda, o apoio, a salvação. Foi difícil, foda mesmo!

xxxxxx Fortaleceu-se, voltou a trabalhar e reconquistou a confiança de todos. Já com um filho de três anos, outro lugar, outros princípios e outra vida, recebeu a notícia: ele havia sido morto, assassinado pelas costas, seu corpo largado no lixão da cidade, os olhos verdes fechados para sempre... Chocou-se com a notícia, embora já soubesse que ela viria... Com o choro, veio o alívio de saber que fez a coisa certa daquela vez. O crime não compensa, não é chavão! A amizade e a família são os bens mais preciosos do homem.

xxxxxx Obrigada Leninha, essa é para você! Minha amiga querida, que me ajudou nas noites de febre, me botou para cima e acreditou em mim, mesmo quando eu mesma não acreditava mais... Te amo, Lê!

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