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Aprendendo a ser forte
Thais Lemes Zimerer

 

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xxxxxxEla era uma boa garota. Detestava estudar, mas sempre trabalhou. Saiu de casa aos 21 anos, com a cara e a coragem que essa idade permite, e foi pra uma cidade litorânea. Cidade pequena, água de côco, topless, muita liberdade e... drogas! Lá o acesso a elas era muito fácil. Encontrava dez pessoas para cheirar com ela e ninguém para repartir um "pf". Apesar disso, continuava guerreira, trabalhando e tentando ser feliz naquele paraíso. Fez grandes amigos. Alguns espalhados pelo mundo e outros que continuam lá. Nunca perdeu o contato com eles, nem a vontade de voltar. Voltar para aquele lugar, que com o tempo, ficou tão distante.

xxxxxx No início sentia MUITA falta, mas não havia o que fazer. Filho recém nascido, situação financeira totalmente instável, total falta de apoio pra voltar.

- "Vai voltar a viver na esbórnia", alfinetava sua mãe.

xxxxxx O tempo foi passando e as lembranças foram se apagando, tipo foto de Polaroid. Foi se acostumando àquele novo lugar que sempre detestou e aquelas pessoas que subestimava foram fazendo parte da sua vida. Fez amigos (grandes amigos) e conheceu pessoas que, agora, moram no seu coração. Parou de cheirar. Fortaleceu-se, amadureceu, aprendeu mais. Achava que sabia muito, que aquela vida no litoral havia lhe ensinado tudo... Mas não! O mais importante ela aprendeu lá, naquele bairrinho, naquela rocinha... Aprendeu que as coisas acontecem na hora certa e que é preciso criar raízes. Não dá pra viver daquela forma para sempre! Afinal de contas, agora não estava mais só. Tinha seu filho, que precisava dela para ser feliz, que precisava que ELA estivesse bem, para ficar bem também.

xxxxxx Aprendeu que o tempo é sábio, que a família é tudo e os amigos também. Aprendeu a nunca confiar demais num homem, nem numa mulher... Aprendeu a fazer rabada e farofa de tatu... E o mais importante: REAPRENDEU a ter coragem. Coragem para voltar para aquele lugar. Voltar para sua praia, para o seu sol, maré baixa, lua cheia... Água de côco e topless... Sabia que não seria fácil, mas encararia a barra mesmo assim. Não voltaria só. Seu tesouro iria com ela.

xxxxxx Do bairrinho levaria muitas coisas: novas amizades, amizades antigas e mais fortes do que nunca, sua tv, seu dvd... E saudades... Saudades do que poderia ter sido e não foi. Mas não por sua culpa! Ela fez o que pôde. Foi até o fundinho do poço, achou a mola e voltou! Voltou mais forte, mais decidida. Sabe que momentos difíceis virão; a "deprê" nunca vai embora para sempre, permanece ali, esperando só uma brechinha pra emergir... Mas sabe também, que PODE! Pode ser feliz, pode mudar tudo de novo, pode usar tudo que aprendeu a seu favor. Pode contar com os amigos que ficaram lá no litoral e com os que na rocinha permanecerão!

xxxxxx Ela está indo, com coragem e medo... Mas está indo e isso é o que importa. Indo para ficar, criar raízes e correr atrás daquilo que todo mundo quer: a tal da dona FELICIDADE!!!

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