




Mórbida
Psicopatia
Ana Carolina
Toffanelli
xxxxxx Desejos rastejantes que afrontam por sobre a pele eriçada. A necessidade louca que fez os músculos enrijecerem-se faz a corda envolver o pescoço, apertada. E as palavras ecoam cruas e silenciosas, faltando-lhes sílabas. Mágico despertar das sombras, onde o orgulho assomou-se diante da vitória de uma luta suja. Estamos todos do lado do bem, envolvidos no mais fino cetim negro. O gosto de sangue surge nos lábios, dando sabor ao ato. Olhos atentos a cada movimento, corpo aposto para qualquer corrida. E a guerra ainda não terminou. Esconde-esconde.
xxxxxx Os risos nervosos ecoam ao longe, acompanhados de movimentos contínuos. E o mecanismo está sendo movido pelo anseio gritante de dirigir o espetáculo. O fogo queima muito por pouco tempo, mas que esse pouco tempo seja suficiente. Que arda até provocar dormência, e que essa dormência provoque uma dor surda. E que as chamas belisquem até a alma. O entorpecimento causado pelo vinho dá vida à graciosidade e lentidão com que as palavras são sussurradas ao ouvido, enquanto os espinhos de uma rosa arrepiam seu pescoço. E gemidos são confundidos e entrelaçados com suspiros. Satisfação em ver a pele nua e fria, fúria demente que transforma-se em realização inconseqüente... E que isso não cause arrependimento. Oito, nove e dez.
xxxxxx Morrendo pela boca. Provando o adocicado gosto do fim. Não há muito tempo, mas também não há muito que se esperar. E o sorriso permanece altivo. A razão sufocada pela bela podridão, as mãos tremendo diante da reluzente espada. E que a contração dos sentidos faça com que o sangue não estanque. O sol voltará amanhã, mas talvez não seja manhã... e as estrelas continuam a iluminar o céu envolto pela penumbra. Punhos cerrados escondidos atrás de um vestido delicadamente tingido de rosa. Palavras torpemente proferidas com os olhos voltados pro nada, mas com a mente voltada em apenas um alvo. E que seja inesgotável, até a última gota (asfixia delirante). Fim de jogo.