




O
tapete
Karla Marília
Meneses
- Vai sujar o tapete!. Ela estava nervosa.
- Mas e daí? Você vai pensar nisso numa hora dessas?, ele perguntou. Colocou uma dose generosa de Jack Daniel's e tomou, olhando a paisagem esfuziante do Rio de Janeiro.
- Sua mulher ainda está em Búzios?, ela indagou com a voz pastosa, efeito da vodca.
- Está lá, ele disse num tom de irritação. Ela olhou para a sala iluminada, com quadros do pintor Miró.
- Ainda tem pó aí?
- Tem um teco, ele respondeu.
- Nossa! Que onda a nossa!, ela deu outra crise de riso. Você gosta de mim? Ele ergueu o olhar e viu uma garota loira, de preto, cabelos compridos e nariz arrebitado. Apenas mais uma aspirante a modelo.
- Ás vezes gosto e ás vezes não, respondeu. Ela tirou a roupa e ficou dançando uma música de Barry White na sala:
- Olha meus peitos, são até bonitos, não é? Ai, merda, me queimei com o cigarro..., ela foi pegar mais vodca e gritou da cozinha. Ainda tem carpaccio aqui, você vai querer?
- Não.
- Toma mais uísque, ela voltou para a sala.
- Mas e aí, você vem comigo?
- Claro que sim!. As pupilas dos olhos azuis dilataram-se, curiosas como as de uma criança.
xxxxxx Ele
pegou uma arma, atirou na cabeça loira e deu um tiro no próprio ouvido.
O tapete branco ficou tingido de vermelho.