




O
peido reflexivo
Eduardo Oliva
xxxxxx Roberto era um aluno de Ciências Sociais. Estava assistindo à aula sobre sociólogo Durkheim, quando ao perguntar algo para o professor, soltou um peido. Todos da sala, inclusive o mestre, riram dele e tamparam as narinas.
xxxxxx Ele ficou envergonhado, queria desaparecer da face da terra. Mas, com o tempo, concluiu que o terrível episódio poderia lhe dar importantes reflexões:
- “Se não existisse a coerção social e a consciência coletiva, eu poderia peidar a qualquer hora, sem ninguém perceber. Poderia ir de sunga à faculdade ou comprar, nu, um pão na padaria”.
xxxxxx Durkheim disse que a coerção social é um fato social, exterior ao indivíduo e que exerce domínio nas pessoas. Roberto imaginou a liberdade que seria se não houvesse as convenções sociais. Todos poderiam fazer qualquer coisa sem repressões ou olhares recriminatórios. O constrangimento e a vergonha nunca mais iriam existir no mundo.
xxxxxx Lembrou que tinha lido o livro de Hobbes, que partia do pressuposto que os indivíduos, cansados de tanta baderna e violência, fariam um contrato: o “Leviatã”. Se alguém rouba algo alheio, dará a chance de outra pessoa lhe fazer o mesmo. Esse contrato é o Estado, que possui o poder legítimo de manter a ordem na sociedade.
xxxxxx Roberto analisou os aspectos positivos e negativos de existir ou não regras sociais. Concluiu que essas normas são um mau necessário à existência do ser humano. Somente podemos exercer o direito da cidadania se existir segurança para exercê-los. O Homem é um ser social, precisa viver em comunidade para manter a sobrevivência.
xxxxxx Ficou tão absorvido em seus pensamentos, que foi direto para o quarto. Sentou na frente do computador e começou a escrever um ensaio.