Gaveta do Autor - O portal do escritor na rede
D

Início

Verso

Prosa

Colunas

Notícias

Lançamentos

Multimídia

Concursos

Papel de Parede

Livros grátis

Copyright © Gaveta do Autor
Todos os direitos reservados
gavetadoautor@uol.com.br

Haroldo, meu patinho
Doutor Scudufum

 

 

xxxxxx Quando eu era moleque, costumava ficar parte das férias na casa da Dona Jandira, amiga da minha vó. Estava lá quando dei de cara com um pato branco no quintal. Dona Jandira houvera ganhado de um conhecido. Dei um nome pro bichinho: Haroldo.

xxxxxx Dona Jandira vivia me advertindo: "não se apegue ao bicho!". Mas não tinha jeito, estava todo dia com ele. Fazia carinho, dava comida, brincava com ele, essas coisas de menino fascinado por um bicho que nunca tinha visto antes.

xxxxxx Certo dia, depois de ter acompanhado minha avó ao mercado, corri para o quintal da casa da Dona Jandira. Cadê o Haroldo?! Voltei para procurá-lo na cozinha e vi a Dona Jandira com uns troços esquisitos na mão.

- Dona Jandira, o que é isso?

- As tripas do Haroldo.

- Posso brincar com elas?

- Pode, mas lave as mãos depois.


xxxxxx As tripas do Haroldo eram mais divertidas do que ele próprio. Pareciam aquelas gelecas de potinho. Tinha uma que parecia um elástico, acho que eram os intestinos. Mas criança é bicho burro mesmo! Brincava com as tripas dele, mas achava que o Haroldo, de verdade, estava escondido em algum lugar. Depois Dona Jandira explicou o que houve e eu abri o berreiro.

- Eu quero o Haroldo de volta!

- Ih, agora ele já tá cozinhando na panela.

- Posso ver?

xxxxxx Dona Jandira abriu a panela e vi o pobre coitado nadando na água quente. Parecia calmo. Adeus, Haroldo, meu patinho.