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estágio puro do desejo
Eduardo Oliva
xxxxxxEssa história nunca foi revelada para ninguém. Juliana guardou-a para si. Ela era uma moça pobre e, com muito esforço, conseguiu terminar a faculdade com mérito. Seu professor predileto arrumou-lhe uma bolsa, para fazer pós-graduação numa das melhores faculdades da França. Estava muito feliz; iria realizar um sonho antigo de conhecer Paris.
xxxxxx Ao chegar lá, despertou interesse de um jovem professor francês, que ficou admirado com a sua inteligência e cultura. No início só era amizade, mas com o tempo, surgiu uma atração entre eles... Tudo ia bem, quando o jovem professor a convidou para tomar chá chinês e lhe emprestar um livro para um trabalho que ela iria fazer.
xxxxxx Foram ao seu apartamento cheio de livros e quadros antigos. O rapaz serviu o chá e alguns bolinhos. Juliana estava nervosa, sentia que aquele dia não iria acabar bem. Passaram-se algumas horas, uma onda de desejo irresistível expandiu-se naquele ambiente. De repente, o jovem professor francês a jogou em cima de uma mesa cheia de livros. As xícaras de porcelana chinesa que eles estavam usando espatifaram-se no chão, manchando o tapete persa, que foi herança de família do rapaz.
xxxxxx Deitada em cima da mesa e dos livros, sentiu-se excitada. Ele pegou o livro que emprestou para Juliana e começou a percorrer por todo o corpo da moça, que sentiu o conteúdo do livro penetrar em todos os poros de sua pele. Sentiu um prazer que nunca sentira antes...
xxxxxx Fizeram sexo no meio dos livros e em cima da mesa. Estavam no estágio de puro prazer, onde não há obras de arte e nem valores morais, só a vontade de saciar os instintos remotos e reprimidos de seus corpos...
xxxxxx Juliana saiu envergonhada do apartamento. Começou a nevar. Essa cena foi mais marcante do que qualquer outra de cinema. Ela, correndo pela rua escura com seu casaco enorme, escondendo as marcas da paixão no seu corpo, e a neve caindo sobre seus longos cabelos. Na pressa, esqueceu-se da touca no apartamento do jovem professor.