




Pax-vóbis
João
Felinto Neto
Que seja este livro,
Um jantar à luz de velas;
Do mar,
A mais tranqüila caravela
Seja o vento nas cavernas,
A soprar
Seja o condor a planar
Sobre a planície
Seja um velho que sorri
De um jeito triste;
Uma noite
No alpendre à beira-mar
Seja a mais distante ilha
Que a lua alta brilha
E o sol vem se espelhar;
Uma boca suspirando de amor;
Nos cabelos, uma flor
A enfeitar
Seja um pássaro a cantar
Por entre galhos
Seja um bonachão sentado
A escutar
Seja a sua paz de espírito
Que o mais estrídulo grito
Não consiga abalar.
