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Sem título 22
Dionísio Dinis

 


Olha o sol Lurdes
Olha o sol que o sol é razão de ti
O sol com filhos do amor de mãe
O sol com escuro do amor do amante desnecessário
Tu e a lua Lurdes, um uníssono de mistérios,
A força indómita de crer na manhã da rosa

Antes Lurdes, falámos do que já não queres
Das imagens oxidadas dos amores passados
De estorvos e desencantos pardacentos
De tudo ou quase tudo que não brilha como tu
Do mundo que te estranha por seres maior
Das gentes que não sabem bem querer-te

Depois Lurdes, logo depois a violência das matemáticas equações
O desprezível de ser zero ante o infinito das mortais vidas triviais
Ou a vontade maior de ser maior na intransigência do amor
Quero-te Lurdes para além dos comuns desamores
Não temamos nenhum obstáculo
Porque se demos sentidas mãos
Se unimos a lágrima de comuns entendimentos
Teremos infinitos multiplicáveis
Seremos a coragem da terra ardente em fruto urgente
E respiramos já na purificação de todas as atmosferas
Somos na praia o fogo do ocaso do dia
Voamos no concreto dos nossos versos
Somos húmus na terra ávida de germinar
Em sete mares não cabe a maré do nosso amor
Tornamos o excesso a coisa trivial
Clareamos o mundo em luz crescente
Vejo a vida como árvore no tempo da poda
Sei Lurdes, que saberás escolher o mais viçoso ramo
Podarás no sentido do amor, farás o ramo em tríade de belo

Dos troços cortados guardarás a sapiência
de teres podado em perfeição
Saberás gerar a nova árvore como teu merecido éden
À tua imagem e semelhança, o amor nasce da tua escolha
O amor que tem nascente em ti, a árvore que renasce no teu poema
Sinto Lurdes, os quatro elementos unidos no teu verso
Por dentro de mim, corres como um sagrado rio
És fogo no meu fogo eterno
Respiro no teu ar, respiro do teu ar
Sinto-te magna terra fértil de flores intensa

Amemo-nos na vida da árvore sempre bela
Amemo-nos na sombra perfumada da cerejeira
Deixa que deponha em teu colo as rosas amarelas
Depois em leito com lençóis de pétalas
Daremos o beijo com o fruto nos lábios
Rubros os corpos como o fruto eleito
Alvas as almas como a alva flor da cerejeira
Fazes-me puro na tua imaculada pureza
Fazes-me intenso no teu imenso amor
Quero-te fazer o meu interminável poema de amor
Quero-te simplesmente com todo o meu querer.

D

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