




Holocausto
Individual III -
da solidão à morte misericordiosa
Osimar Medeiros
A duplicidade de meus
pensamentos vagos
confronta-se com a unidade do meu ser,
Preparado estou, para o que quer que anuncie-se
à minha vista turva e exausta,
Nada do que angustiadamente feito por mim foi,
será lucidamente repetido,
Embora parte seja da alma,
a carne sangrenta jamais será parte de sua essência
Castigos não adiantam,
se a alma arrependida falsamente está,
Mesmo que a dor total seja destruidora,
a verdade mantém-se oculta,
Minhas orações aos céus não chegam,
pois endereçadas estão ao vazio,
Nem que da rocha saíssem ossos,
eu não renunciaria ao abandono real
A astúcia do marginalizado
compara-se à realeza da alta autoridade,
A veemência da flama glacialmente vaporizada
tem seu significado visível,
Tal monstruosidade híbrida da carne
e do espírito condena o infinito,
O futuro de meu presente depende apenas
do passado do meu relapso tempo
Toda a violenta passividade
do meu coração
é fruto da momentânea falta de razão,
Que se desprende de mim,
como a raiva que dá nome ao massacre mental,
Realizando-se na busca do inexpugnável castelo invisível
do fundo do meu rancor,
Tendo em seu âmago,
a inodora fragrância prateada do cemitério subterrâneo
Lágrimas de sangue
são originadas
de imagens mortas e rudemente apodrecidas
Vigilante e alerta estou,
em minha segurança organizadamente desfigurada,
Todos ouvirão a trombeta apoteótica,
como num fim espetacularmente e claramente mau
E seguirão a marcha triunfal
do réquiem inexistente e claramente mau
Quão fundo é o abismo
do meu coração
naufragado num mar de espinhos?
Só eu sei e, como uma locomotiva desgovernada,
levo o segredo à tumba,
Segredo esse, que diz respeito a mim apenas,
e ao ódio contido em minha ira,
E a fatalidade me atinge, desnorteando-me e,
finalmente terminando meu julgamento.