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Sem título 12
Dionísio Dinis

 


Que não forcem sorrisos ausentes
Os dramas e seus efeitos eu declino
E a seiva dos olhos não cabe neste lugar
Tenho a boca de aurículas e ventrículos absorta
No rosto tomo a chapada de alegrias de sangue
No cérebro levo o corpo encarcerado
Almejo o horizonte inexistente
Nevrálgico ponto ausente da razão
Matemática coordenada da loucura

Cara a cara na fossa abjecta do opróbrio
Desquitado de ligeirezas e lisonjas
Prazer irredutível de ser contrário
Letra a letra
Em fonema caótico
Imperceptíveis palavras solares
Tragadas na tempestade narcótica
Ressaca violenta e acre

Cala-me agora o vento forte
São vozes nucleares audíveis na bonança
Invento um cântico de murmúrios lassos
O vento faz água o forte álcool
Tremor alucinado já desfeito
Frige ao sol a cabeça trepanada
Cirúrgico acto tresloucado

Pinto o chão de sangue e liberdade
De golfada em golfada
Gota a gota
A veia seca
O sonho pleno
Sei do lugar do repouso dos justos
No remanso do jardim das oliveiras
Dorme a paz no corpo do homem feito pássaro
Á sombra da árvore secular

Vou já lançado em órbita alucinante
Fugaz cometa em queda anunciada
Acordo o sono
Estatelo-me em sujo asfalto
Arde-me o sangue nas mãos quebradas
De tanto querer
E não desejar ter nada

Empilho a lenha na pira destinada
Meu sangue é querosene inflamado
Arde-me o corpo na vontade da partida
Alaga-me já o mar de cinzas enfeitado
Nem Fénix serei
Reencarnado ser jamais virei a ser
Enfuno as velas rubras do meu ser
Sigo a rota incerta sem regresso
Naufrágio anunciado em profecia.

D

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