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Ponto final
Emanuel

 


Nem mais um sonho
Nem mais um passo
Nem mais um gesto

Chega de protesto

Não mais semearei
uma flor no meu jardim

A partir de hoje,
vou só cuidar de mim

Vou pôr na prateleira
todo o desejo,
toda a canseira,
toda a ternura
de manter acesa
a chama da lareira

Darei por cada asneira
um grito de triunfo
e por cada utopia
um riso de desdém

Vou infestar
de larvas e mosquitos
a terra dos benditos

Vou entoar
o canto dos proscritos,
o conto do "ninguém"
E quando regressar,
vou pegar no bocado que resta
da minha indiferença

Vou colocá-la na presença
de histórias do passado,
de sonhos do que vem

Até que uma criança
de olhar triste
passa por mim
e sorri

Ai de mim que não aguentei

Ó sorriso que desfazes
meus esquemas e promessas

Ó presença que abalas
o bocado que resta
da minha indiferença

Olhei a multidão de riso triste
que a seguia, sem fúria
nem revolta n
em lamúria
nem escolta.

E segui-a.

E

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