




Mais
um vôo urbano
Silas Passos
Ferreira
Era alto daquele andar do prédio,
era o décimo
Era alto o andar daquele homem,
era péssimo
Em sua sala parte da sua sina
emprego e injeção de adrenalina: cocaína
O divórcio, ela e a bebida,
imploravam que pulasse lá de cima
Lá embaixo, a esfinge inda rugia,
fim de tarde, rotina não-contida
Agora, um tumulto já se via:
"Lá no décimo! Louco suicida!"
Histeria por sua desistência,
e não ouvia o reclame que lhe vinha
Com as asas de sua inocência,
decolava para a vida que não tinha
Flash: multidão, apavorada
à Hitchcock, vê um corpo que cai
Pânico, em pupilas dilatadas,
contempla a alma tola que se esvai
Seu reflexo é visto
na janela
quando consciência já não tem
Choque, e seu corpo se esfacela
cena mórbida do que sobrou, de alguém.