




Silêncio
Lúcio
Barbosa
Nada vejo em meu redor:
É silêncio...
Às vezes grito bem alto
E não aparece ninguém
As vidraças embaçadas:
Parece não existir
Vidas do outro lado,
Alguém para me ouvir
Aos poucos os olhos
navegam
Na triste recordação:
No meio do vago que resta,
O amor torna-se paixão
Salto, pulo, faço loucura
Do que antes era amor;
No quarto que nos separa,
Somente angústia e dor
É tudo o que sobrou
De uma estória tão linda:
Do tempo do nosso amor,
Somente a saudade restou.