




O
candelabro
Sérgio
Lopes
Três lumes tremeluziam,
à escuridão,
Desolados entre as indistinguíveis paredes,
E o teto indefinivelmente profundo do casarão;
Cosmo profundamente
intangível, vede,
Assim que cesse das luzes que pouco arderão
O curto alcance, que não se transcende
Inda assim, embora certamente
em vão,
Crendo-se inextinguíveis por sua jovem sede,
Irradiam com vigor o medíocre clarão;
Assim o candelabro,
que mal estende
A si mesmo a própria iluminação,
Flutuava em trevas, a que tal luz pouco ofende
Mas à primeira brisa
suas chamas tremerão;
E eis que esta sobrevém, glacialmente,
E lhe extingue a primeira combustão
Já agora vacilante,
tateia impaciente
O negro tecido, com a débil mão
Do seu brilho já insuficiente
Reveste-se de orgulho
entretanto, e então
Proclama-se um sobrevivente,
Inundando-se de misticismo e superstição
Mas eis que o vento,
recrudescente,
Vem e lhe colhe, de roldão,
A segunda chama incandescente;
Avança sobre tudo um
manto de carvão,
Em que dança a última centelha, desfalecente
A piscar como olhos em pranto na solidão
O candelabro pois, já
aqui descrente,
Deixou cair os braços de exaustão
E apagara-se a última vela por si só, lentamente.