




Voz
silêncio
Dionísio
Dinis
Rumo em silêncios
recortados, intermitentes
rumores vagos, som reflexo, ausências insinuadas
Ciência exacta, aplicadas matemáticas sem lúdicos brincares,
aturado génio, vacuidades em insonoros actos,
arautos amarelos em notícia calada,
Negra
Em asfixia amnésica
palavra azul,
círculo cromático, círculo em breu perdido,
em afonias padecente,
palavra quase nascida, indizível câmara escura,
revelação adiada da boca interdita,
a boca de dentes cerrados, dilacerantes,
a palavra na boca, silêncios!
O tempo mudo mede na
areia
a espera ansiada do leve murmúrio, sílica cristal,
reflector solar, contador dos tempos
sem voz, os tempos ainda por anunciar, inomináveis
e insonoros
Tímpanos estoirando,
clepsidra, tempo atómico, medida
grão a grão de todas praias,
a palavra urgente! Revelação
A espera!
Na demora da palavra por nascer
os sons primordiais, o cérebro tecendo
preciosa filigrana dourada sol,
a boca ansiando o sinal,
áureos elos unindo binómios,
a boca refém da cerebral vontade
voz suspensa em demorados lábios,
ouvidos ensurdecendo na improvável dádiva,
enlouquecendo, minguantes,
nas ganas do providencial acústico alimento
De fora de nós, do supremo
dos seres
descendente ela virá, inicial, percursora
em sons transmutada,
eminentemente bela,
necessariamente única,
significante absoluta de todas as babilónias
Na boca, os lábios,
a palavra
Trindade!
A voz éter propagação,
fonética livre revelada,
plena de todos os espaços
e de todas as medidas do tempo,
feita instantânea e única permissão
Momento feérico no caminho
do silêncio,
dos lugares dos tempos obscuros,
em caminho do espaço infinito,
feito de telepáticas comunicações
E deixamos os sons duramente
conquistados,
partimos livres, rumo a sublimes silêncios,
feitos de visuais entendimentos e emoções,
Almejada paz celestial por fim detida,
em nós por dentro de nós,
incorpórea essência dos céus,
humanas ambições aplacadas,
constantes, intranquilas buscas,
incondicionais e físicos anseios,
o ter e já nada desejar,
insanável contradição humana
Silêncios melódicos
consonantes!
Percepção, comunicação telepática!
A voz persiste feita inaudível, edificado som
na arquitectura divina dos vazios siderais.