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Anjo torto
Fabiula Raquel Pereira

 


A insanidade me faz companhia na escada
Ela me canta uma canção
e nas ruas ela me diz para onde devo ir

Um anjo torto me pegou e disse-me
que o fim do mundo não existe
Que somos todos bobos e tolos

Não há explicação
Não há nada, nada, nada, nada
Morram, seus vendidos!

Esse sangue imundo não vai lavar o que passou
Quero tomar um porre e ver se assim me sinto bem
Nada é mais tão bom como era antes

Vou derramar meu sangue e vender minha carne
Estou com medo e triste
A vida não passou, nem passa,
nem faz nada
A droga dessa vida medíocre
não me pertence

Não sei o que faço,
se faço, se morro,
se nado, nado, nado,
durmo.

F

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