




Holocausto
Individual I -
da beira do abismo profundo
Osimar Medeiros
A imortalidade espreita
o espírito atormentado e alquebrado,
Os ventos anunciam a vinda
de uma tempestade imortal,
Razões não há, para continuar
seguindo a estrada do abandono,
Os passos do malfeitor são cercados
pelas iniqüidades e atrocidades
Vontade não falta para
exterminar
a praga que é a existência,
Calado como a madrugada de um Domingo
para uma Segunda-feira infernal,
Procuro a porta que, fatalmente
me deixará à mercê dos vermes,
Deixo apenas sombras e lembranças
atrozes, malditas e eternas
Na esquina da manhã
seguinte ao extermínio,
Salve suas orações para os que,
tais como moribundos com fé imortal,
Ainda acham esperanças na noite clara
do leprosário do espírito,
E arrependem-se como condenados
andando à beira do colapso mental
A mim avizinham-se candelabros
negros
no fim do túnel amargo da vida,
Que, tais como demônios fugidos do inferno,
atormentam-me a insólita viagem,
Presságios se mostram ser,
quando da execução da roleta russa vazia,
Procurando resgatar do âmago da alma,
um motivo para continuar a sofrer
Abatimentos sôfregos
e soluçantes
sufocam o canal apodrecido da respiração,
Procurando remoer recordações inexistentes
de ambíguas vitórias destronadas,
Ao mesmo tempo em que aprofundam
a miséria infinita, suja e melancólica,
Repentes de satisfação são suplantados
por amarguras intermináveis
Surpresas reservam-se
até aos mais preparados
e, certamente concentrados,
Pois, se dissecarmos um animal,
ao vermos suas entranhas flácidas e cinzentas,
Refugiamos-nos na explicação racional
de que ele nada sofre ou agoniza,
Qual não foi minha surpresa, ao ver-me pálido,
descobrindo que morto já estava!