




Pombo
correio
Emanuel
Põe de lado
o bocado que resta
da tua tristeza
Dá um murro na mesa
Espreita a janela
e vê como é bela
a lua nascer
Liberta o teu pombo
correio
Deixa que leve
o saco cheio
da tua mágoa,
do teu paleio,
do teu receio
de ser como és
Troca o que diz toda
a gente
p´lo que em ti é diferente
Abraça o que ama,
acolhe o que chama,
anima quem clama
um mundo melhor
Deixa a paixão apanhar-te
Constrói um sonho por dia
Coloca de parte
quem queira tirar-te
a tua alegria
Faz do viver uma arte,
da festa folia,
do carinho estandarte,
do só companhia
No dia seguinte
serás o pedinte
mais rico e ditoso
do teu quarteirão
Dirão que és tonto
Dirão que és conto
de outra novela
Ficção, fantasia,
capricho, utopia,
cavalo selvagem
sem rédea nem sela
Que o sonho sem trela
É sonho que acaba
Como apaga uma vela
Mas deixa falar
Como queres ser lembrado?
Como alguém cumpridor
que sempre disse "amen" ao seu senhor
Ou como alguém sonhador
que deixou um projecto profundo
que mudou o Mundo?
