




Era
uma vez um saco
Emanuel
Sou saco perdido
no meio da estrada
Não sei se vazio
se cheio do nada
Sou cabra
sou cobra
sou coroa de rei
Sou fada madrasta
nas teias da lei
Sou puro
sou virgem
sou casto no lar,
sou bruto
sou bronco,
sou monstro
no mar
Sou pagem,
sou prenda,
sou tenda
contigo.
Sou farsa
sou frágil,
sou falso
comigo
Sou saco perdido
no meio da estrada,
não sei se vazio
se cheio do nada
Sou belo,
sou crente,
sou ponte
do rio
Sou luz e
sou fonte,
no meio do frio
Sou filme,
sou vento,
se tento lutar
Sou palco,
sou cena
sou pena
a voar
Sou cana
batida
pelo vento
de lado,
que goza
na vida
bocado
a bocado
Sou saco perdido
no meio da estrada,
não sei se vazio
se cheio do nada
Sou naco
de broa
na boca
do mundo,
palhaço,
cantor,
pastor,
vagabundo
Sou prenda
embrulhada
em papel
de jornal
Sou coisa,
sou loiça
sou simples
mortal
Sou saco perdido
no meio da estrada,
não sei se vazio
se cheio do nada
Mas parto
contente
de tudo
o que sou
Não sei
se sou gente,
não sei
se sou crente,
não sei
donde venho
nem para
onde vou
Mas sei
o que sou
Um pouco
de ti.
Um pouco
de mim
Um pouco
do outro
que por mim
passou.
