




De
que se morre
Rui Pais
Morre-se de morte natural
Cuja idade não nos diz nada
De qualquer causa acidental
Que não está na nossa alçada!
Da nossa privação à
liberdade…
Por desrespeito à autoridade…
Da pena capital que recebeu
Pelo crime que não cometeu!
Morre-se de qualquer
acidente
Venha ele do norte ou de leste
Dum vírus, praga ou epidemia
Que no nosso ambiente se cria!
Morre-se do veneno duma
serpente…
Dos desgovernos que a nação sente…
Dum crime que foi algures cometido
Atingindo alguém sem fazer sentido!
Vai morrendo aos poucos
o coração
Dorido, ao ver nos outros o progresso
E sentir na nossa pátria o insucesso
Por falta de liderança nesta nação!