




Natureza
selvagem
Rui Pais
Certo dia vi-me embrenhado
na floresta…
Num manto sedutor repleto de verdura
Projectei o pensamento nessa aventura
E tornei-me no autor principal da festa!
Visitei Quito a alta
capital do Equador…
Cruzei esses Andes em veículo a motor
Vi vulcões e gelo em redor das crateras
Expelindo lava como se fossem feras!
O caminho ia até ao
rio nesse matagal…
Daí podia-se prosseguir por via fluvial
As autoridades guardaram os passaportes
Como prova dum desafio longe das cidades!
Avançamos num rio serpenteado,
pedregoso
Rápido, com remoinhos, baixo e muito arenoso
Onde a canoa era a única opção admissível
Um experimentado indígena fazia dela o incrível!
Chovia e trovejava de
forma diluviana
A piroga mais parecia casca de banana
Cobertos numa capa ao abrigo da chuvada
Não notaram o risco nessa enxurrada!
Procedi como a flora
ficando à chuva…
Ao descermos o rio a tormenta findava
Veio a bonança e aportamos em paz
A uma espécie de motel sem capataz!
Nessa noite pluviosa
o rio engrossou
Regressamos na madrugada seguinte!
Contra a corrente o percurso dilatou…
Tínhamos tantas histórias na mente!
Utilizou-se parte do
trajecto terrestre
Numa autêntica aventura de mestre
Falaram-se de factos ocorridos na viagem
Sentia no meu ser parte duma miragem!