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Amar ou se deixar levar
Cesar Poletto

 


Em dias de sóis avermelhados
É preciso estar atento
Processar douro momento
No afã dos prazeres inviolados

Só a estar o outro que não ama
Não ao outro, mas a si próprio
Fracionar o lume que traz a chama
Trazer, não aos outros, mas a si, o óbvio

É preciso amar desmensuradamente
Emocionar a si, ranger os dentes
Coadjuvar infindáveis epopéias
Adormecidas, estanques, amarelas

Fundar o próprio fã clube
As vaias esvaecerão pela intensidade
Palmas pra si, dedos em riste
São minúcias a convergir, internas

Em tempos de sois dissimulados
É preciso ter espelho
Não do alheio, mas o próprio
Apresentar aos outros, os molares
E proferir num estrondo:
Eu me amo!

C

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