




Você
já foi a Maceió?
Maria do
Socorro Ricardo Farias
As minhas últimas lágrimas eu deixei
pra Maceió lavar Pajuçara, Ponta Verde,
Ipioca, Paripoeira: um mundo de mar
Meu Maceió não têm prédios
altos
habitados por príncipes e princesas,
têm areias brancas e coqueiros gogós-da-ema;
meu Maceió despossui favelas, casas feias,
possuem sonhos ecológicos, casas mágicas;
meu Maceió não existem analfabetos
nas ruas de Jorge de Lima, de Jorge Cooper;
meu Maceió vende no supermercado
bumbas-meu-boi, reisados e pastoris encantados
Não há injustiça nem
violência em meu Maceió:
Pontes de Miranda não deixa, não permite rixa,
não deixam as palavras do velho Aurélio Buarque
As lagoas, os bairros
cheios de ônibus espaciais
que viajam entre as estrelas, as galáxias;
meu Maceió tem um bairro cheio de sacis musicais,
outro cheio de sereis e centauros marcianos;
nas lagoas moram mães-dágua rendeiras com seus bilros
que não deixam faltar roupas pros povos alagoanos;
não há cemitérios, porque aqui ninguém morre
Fica encantado
Homens caminham com
seus pincinez;
mulheres e crianças rezam;
há frutas em abundância na Palmeira
herdada dos caetés
na casa defronte ao CAIC
que comporta uma fábrica de sucos.