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Meus anjos se divertem
Cesar Poletto

 


Perdigoto alienado fedendo a tufão
Peste subversiva, óleo de cachalote
Despedaçada rosa pelo imundo bastão
No passado velho de esquiva, papelote

O candeeiro arde à sombra fria
Submerge alma na folha esguia
Não salta, nem umedece, desaquece
Ecoam desatinos apaziguados, em prece

Buscam na lama acinzentada, o lobo
Encontram no fel da madrugada, o lodo
São impurezas trovejadas, Baco patife
Lançam-se vis, donde provêm o esquife

Da fenda brota o óvulo envergonhado, esmaecido
Meus deuses, poetas em férias, riem de mim
Peço aos anjos de plantão, que dançam... Triste fim
O poder do pascigo na pena do amigo, esquecido

Ó dia inusitado de orvalho vago!
Toxina botulínica no arcabouço do mago.

C

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