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Cinco séculos de versos
Cesar Poletto

 


Dunas versejadas pelas alvas areias
Propósitos insanos, maquiavélicos ramos
Tempestade de mentira em rubros pomos
Corados tomos, insipidezes e vilanias

Negativas formas de amar o belo
Sê-lo, da maneira mais digna e afável
Entornar à inclinação da taça, o pé etílico
Rotas torrentes que rumam, que domam

Sóis em nasceres sísmicos, cobras ao vento
Tenazes rumos das coisas que lembro, um pouco
Casas de várias paredes pendendo em quadros de alcova
Mero despautério range a perna que passa, e assalta a geladeira

Manhã inteira nos interstícios alveolares
Meandros escusos não faltam à vida
Trazendo da morte, gente, temente ventre
Numa noite pura, velejam os sonhos.

C

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