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Primeira pessoa ao leitor
Cesar Poletto

 


Eu
Na boca minha de sangue
Contando as falanges no jardim
Faço implante pra mim;
Adormecidos, vãos coelhos
Todos mercantes, desfilam olhares de queijo
Valem-se dum beijo, boemia

No verão cálido do guarda-roupa
Esconde e apontam estrelas cedentes
Para seccionar o mal em rodelas
Como mortadelas de fogo
Logro-me na esporrenta adaga
Que lança filhotes ao ar
Sem sequer notar

Vivo na intensidade do lume
Na varanda da vida (se não sabes, pedem ida)
Sequeira à faringe lesada por uma parada
Meu trigo não quis ser pão
Veio-me à mão e faleceu;
Amigo meu é o leitor que escuta
Com lâmpadas retinidas na face da mente
Dou-te ósculo à alma e confundo teu ser.

C

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