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A adaga no quintal
Cesar Poletto

 


Plantei uma adaga no quintal
Sob a copa da mangueira
Suas raízes se espalharam mal
Tais as da amoreira

Plantei uma adaga no quintal
Com zelo, amor e bondade
De todo esforço final
Germinou o rebento, a Jade

Plantei uma adaga no quintal
O tempo fez negra a lâmina
De ferrugem incrustada e tal
A inocência suprimida e lânguida

Plantei uma adaga no quintal
Meus vizinhos a identificaram
O empunho mal cheiroso a quadras
As famílias representadas ficaram

Plantei uma adaga no quintal
Com espírito fugidio na chegada
Sua ponta bipartida e amolada
Luzidia, arrogante e infernal

Plantei uma adaga no quintal
Criou pernas, me deixou
Libertou-se a carro e nau
Um filhote defecou

Enterrei o filhote no quintal
Prima vez errada, chega então
Os vizinhos a me quererem mal
Acolheram-no e o criaram como irmão.

C

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