




Guerra
no coração do poeta
Cesar
Poletto
Ano a ano, documento
em branco
A lua me trouxe o bridão
Quisera não, necessitava
Um Orfeu desligado e
convoluto
Magnetizado, irresoluto
Peço adeus, não luto!
Vou seguindo na Alameda
das cores
Magros amores
Molharão com hóstias cabreiras
O 'não' queixado
É o lado a se expor no trato
Até lotar a riba, o
ego sobressalente acusa
Miúdos grãos de fogo, a cauterizar indícios
Resquícios fazem da poeira, interstícios
Enxotando pudores de dentro das jarras
Meu vinho é o holocausto
em Camboja
Hora bomba, hora empada, parada
Um desfile misericordioso de acordeons vencidos
Meus inimigos
Pelas vielas, correm
profundos barões
Munidos com braceletes de fronte aos pescoços
São para dissimular, para fazer de conta
Ali não se enterra a
palha, lambe-se a lona
As jaquetas de lírios cobrem-lhe os rostos
E os derrotados, todos eles identificados
Comem pela raiz, os narcisos plantados.