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Do canto ao conto
Cesar Poletto

 


Ontem, estive a escrever
Algumas frases tolas, inalteradas
Memórias ao sugo que me lambuzavam
Mascaradas, como em filme de época
Arqueiros a mirar na fronte
E a errar por muito, descuido
A morte frutífera anunciou as cinzas
No canto patético do poeta
E versos ateus, todos eles meus
Zombavam -me, rasteiros
Meu esqueleto chicoteava entre pedras
As quais me negavam memórias vastas
Nem as castas, tive-as de ré
Contentei-me, por hora
Com o olhar mecânico e funesto do tempo
A me proferir, com voz de alcova:
Vá-te à cama,
Encontrar-te-á com o conto poético do pateta.

C

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