




O
ganso poeta
Rubo Medina
Eu sou um ganso branco,
Branco branco como o luar
Amo a noite, amo o dia,
Tudo tudo sei amar
Minha casa é nas águas
Nas águas vivo a sonhar
Estou no relento, no vento
Estou na brisa
Nas águas de qualquer lugar
Exceto nas águas térmicas,
Exceto no mar
Vivo alegremente,
O meu canto a entoar
Canto bonito e harmonioso,
Que os humanos chamam de grasnar
Esta aqui do meu lado,
É a minha doce esposa
É quem eu amo, por quem estou apaixonado
E sei - por ela também sou amado
Veja que ela,
Algumas pintas no corpo, nas asas e no peito, traz
O que entre nós não constitui defeito, nem preconceito
Alguns de nós somos completamente brancos, outros não
Mas no nosso mundo, o que importa, é o que vai no coração
Diferentes somos, é sabido, o que não nos torna menos amados
Somos queridos
E as desigualdades não
nos fazem magoados
Foi Deus quem assim o quis
E não contrariando a vontade divina,
Levamos a vida:
Contentes, alegres e felizes
Existe sempre um céu
azul, um luar
Estrelas fosforescentes, coisas lindas a nos sussurrar
No alto das nossas cabeças ou caindo no mar
E também junto das nuvens, que longe vão a passear
Levando pirilampos festivos, pirilampos que vão a bailar
No horizonte dessa vida,
raios de sol,
Nos fazem contentes
Tudo, tudo na nossa existência,
Transcorre tranqüilamente
Somos nós mesmos que
contribuímos,
Para isso acontecer,
Pois facilmente nos adaptamos a tudo,
E isto é o bom viver
Assim, na imensidão das águas, sob o céu azul, nadamos...
Sem jamais termos mágoas
Vivemos alegremente, o nosso canto a entoar
Somos felizes:
Sorte maior, só Deus poderá nos dar!