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Além de mim
Sérgio Lopes

 


Não viverei até o último dos dias
Mas aquilo que faço o poderia

Desposei a solidão em meus dias
Permeando a inexistência
Desde o meu primeiro lampejo de consciência
Até o instante que acaba de passar por mim;

Mas o que fluiu já de meu mais profundo âmago
Me transcende, continua a existir além de mim,
Reverberará no momento oportuno
Pelas secretas câmaras alheias

Abraço a morte de meu presente
Para entregar-me à atemporalidade
Do que atravessa os séculos
Com a natureza incontível do imaterial

Ainda que as grandes multidões não me ouçam,
Partículas do que sou continuarão
Nas vidas anônimas que visitei.

S

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