




Ser
e tempo
Roberto
Fortes
Ao vagar do tempo eu
vou indo
Caminho em direção às horas,
atravesso os minutos num segundo
e preencho a eternidade de um dia
Cada dia é como um ano
e o ano
se desdobra em século
Chego rapidamente ao milênio,
mas não consigo atingir à Eternidade
Vagar no tempo é algo
inquietante:
em segundos se percorrem milênios
e percorrer apenas um segundo
parece levar mais de mil anos!
É o tempo mental do
Ser,
que indoutos chamam de humano;
é a apoteose temporária do Ente,
que se perde em seus próprios segundos
Creio que bilênios levarão
o Ser
ao encontro das migalhas do tempo
que se esvaíram da imensidão da alma
como lágrimas que caem de olhos lacrimejantes
Somente a Eternidade
responderá
às questões cruciais do Ser em ebulição,
perdido em suas inquietações,
o espírito formigante de dúvidas
Sou de fato humano,
ou apenas me deixo estar
nesta qualidade, humana chamada,
que nos oprime o ser?
A resposta virá ao bailar
do tempo
quando da ampulheta da vida
baixar o último grão de areia
que envolverá num manto o humano ser
Assim, que se vire a
página da vida,
enquanto considerada apenas matéria,
e se inicie o próximo capítulo,
que preencherá espiritualmente o ser.