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Soneto dote
Lídia Massari

 


Longe do sacrifício, inútil e estéril
Do braço que fere, ao sublime aconchego
Do holocausto, a paciência, o sossego
Da indiferença, ao afeto precedente

Mas ao que retrata, não dirá compaixão,
Tal quanto ao medo se dê a estrutura,
Que a nua imagem grega seje rasurada,
Se não for sóbrio o toque que me afaga

Que não se manifeste o suplício,
E quão pouco, seu mortificante efeito agrade
Pois se tornará transparente toda a incerteza

Porque os olhos são autores da verdade,
A realeza do amor, inimiga da astúcia
E é então o mar de dúvidas
se torna o princípio sem fim.

L

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