Gaveta do Autor - O portal do escritor na rede

Poema ao homem programado
Gustavo Felicíssimo


 

O bicho era o homem
Manuel Bandeira



Para que a ética, o amor e a moral
se nossos valores não são nossos;
se informados por informação alguma
e pobres de reais valores como agora?
Se apenas beija-flores em floresta incendiada
choraremos nossos mortos.
Vejam as pedras ao longo do rio;
elas nos permitem passar à outra margem,
mas precisamos pulá-las
e molharemos um pouco as pernas.
Não quero com isso advertir o mundo,
mas quem quiser que viaje pela Serra da Canastra;
que vá ver onde nasce o São Francisco.
Não sou Bazin! Estou mais para Truffaut;
sonho com a conciliação entre arte e indústria.
Ademais, é preciso que se saiba da função da arte,
que não existe escola isenta, neutra ou pura,
que somos embalados e vendidos em mercados
determinados pela aferição da audiência.
Somos re-colonizados cotidianamente pela comunicação,
esfinge que devora os incautos
com seus programas e verdades homogeneizadas
enquanto a apatia das universidades cria novos professores;
sábios mestres da verdade e da moralidade sem moral.
Somos feras nos esportes náuticos e automobilísticos; construímos satélites, fazemos transplante de coração
e outras cirurgias sofisticadas,
mas não impedimos que nossos pares morram de fome.
Domesticamos bichos
e agora cuidamos da gente assim como cuidamos dos bichos:
deixamos que ambos remexam o lixo.

G

Início

Verso

Prosa

Colunas

Notícias

Lançamentos

Multimídia

Concursos

Papel de Parede

Livros grátis

Copyright © Gaveta do Autor
Todos os direitos reservados
gavetadoautor@uol.com.br

Livraria Cultura