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Poema aos gramáticos
Gustavo Felicíssimo


 


Convido aqui o povo,
os rebeldes, os guerreiros e os revolucionários
para a mais feliz batalha,
onde avançaremos nosso brado
sobre o regaço de toda aflição
Do império do medo não restará vestígio;
tombarão e tombaremos no embalo
de outros que se erguerão,
pois é assim, sempre foi assim
e isso não me atormenta
O novo há de sempre amanhecer encanecido,
feito o modernismo montado em versos livres
que nunca foram livres,
pois um poema jamais se viu livre da forma,
mas sim da fôrma que abrigava o parnaso
de Bilac que negou Augusto dos Anjos,
que como os maiores escritores brasileiros era nordestino
Não me incomoda a nova verdade;
haverá sempre uma nova verdade nova em cada rosto,
um olhar de estranhamento, um novo gosto
que há de se impor e se revelar superado,
apesar de seu olhar juvenil
Hão de dizer-me insano depois destes versos;
modestos versos que dizem por aí não valerem pra nada;
o que contradigo prontamente,
pois não sabem eles da função da arte
Não sabem, nem nunca saberão,
porque afeitos à militância são de espírito pobre,
vivem quais princesas encasteladas
e ignoram o delito pelo qual são acusados.

G

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