




Poema
dos sentidos
Gustavo Felicíssimo
Meus poemas são
o tato,
o olfato de quem sabe da função da arte;
por isso não me incomoda o peso do mundo
que calado não fala o que quero ouvir,
que indiferente não ouve o que tenho a dizer,
que cego, não enxerga porque não quer ver
Meus poemas; expressão do não
no peito de Rosa Parks;
são gritos de guerra em Canudos
e a resistência em Palmares
Eles nascem nos montes onde cantam passarinhos,
onde lendas correm vales,
onde as águas brotam sotopostas
e saciam a sede da nação
Mira esses montes;
mira e me diga que tanto é tão pouco;
que roto meu caminho é sem rotas;
é prata e penumbra no arco da noite
Os deuses caíram senhores;
caíram, e ainda caem sobre nossas cabeças,
e ainda apontam caminhos incaminháveis,
ditames que não se encaixam ao nosso diapasão
Por isso é que devo juntar-me aos loucos;
não tenho vocação para calar
nem para dobrar os joelhos
Pra ser feliz é preciso enlouquecer!