Gaveta do Autor - O portal do escritor na rede

Soneto dos aléns
(ao poeta Soares Feitosa)
Vicente Freitas

 


Abismo sombrio, sem fundo, infinito
quanto mistério e amargura afogas...
Seguimos pra morte, sem desviar o trilho
e caímos impotentes no vácuo estéril

A terra é uma prisão côncava; convexa,
indeferível, converte-nos ao pó
Da noite imaterial vela o descanso
nos túmulos caiados, sem olfato

Se daqui seguíssemos para outra vida
ou região ignota. Que toparíamos
senão perigo, não menos duro de vencer?

Oh mãe Natureza, talvez inacessível,
que nem mar é, nem terra, ar ou fogo
- desdobra-nos para o vôo da eternidade.

V

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