




Soneto
tecido num sonho
Vicente
Freitas
Nossos reflexos sobre
o mundo de hoje,
entre dedos de fogo e olhos de medo,
reflorescem retorcidos num sonho de morte
e vivemos um refluxo de verbetes
Sou reduto e relento,
believe or not,
E, beneditino, me inspiro, num só vinho
Sou eu, somos nós, somos todos
Escondendo o rosto triste e concorrente
Em sonho existimos só
espírito,
sem tempo, em sussurros, sem inverno
Sou um menino de ferro, sou feliz?
Sou seco, sou verde,
cor comum
(princípio esquecido e ser remoto)
sou ventríloquo venturoso e infeliz.