




Sorte
(ao poeta
Carneiro Portela)
Vicente
Freitas
Mil novecentos e pouco
quando passava u'a moça
mostrando a perna morena
seu Zezinho da janela
de sua casa pequena
murmurava entristecido:
- Exe mundo 'sta perdido!
E agora, meus amigos,
nem se sabe o que é vestido
e as filhas de Zezinho
estão atrás de marido
(Deus sabe como elas são)
a sorte do seu Zezinho
foi ter perdido a visão.