




Soneto
ao meu pai morto
Vicente
Freitas
"Hoje, meu pai está morto,
frio, calado e remoto:
Deus é a gleba do meu pai".
Francisco Carvalho
Teve assento nos abrolhos das garças
Do Acaraú. Ali também nasci.
Teu humilde trabalho não segui.
Teus conselhos ouvi, vezes esparsas.
Já agora,
me diz a eternidade
Que meu pai é todo alma. Alma só.
Depois de humano, à flor da areia, pó.
Faina da terra. Pó. Vento. Saudade.
Foi tua
vida o trabalho, as orações,
A humildade que não invejava
A fortuna de alheias possessões
Sabes
tu que o amei e o quanto amava
E esses versos ternamente hão sido
- Um cavador pra te exumar do olvido!