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Boca da noite
Vicente Freitas

 


Sinto uma profunda necessidade de solidão,
não a solidão do cadáver estendido...
Sou, verdadeiramente,
um cadáver estendido
e, ao mesmo tempo,
um escravo das palavras

As pessoas, enquanto sonham,
não sabem que sonham
Essa é uma das vezes bastante raras
em que compreendo o onírico e o que sou:
um cadáver vivo, real. Não apenas um defunto

Sonho com um máscara de três bocas
Meu Deus, pra que tanta boca?
basta uma. Calada:
a boca da noite

Sei que há diversas maneiras de conceber-se a verdade,
apesar de tudo me levo a contradizer-me:
nenhuma afirmação pode ser absoluta.

V

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