




Alma
perdida
Lídia
Massari
Banida foi a misericórdia de mim,
Os raios da desgraça partiram toda a fé provida
Uma carruagem espinhada arrebatando-me para o fim
Para onde foram os braços de Deus?
E despida
fui dos sussurros divinos
Embora que ainda não bem vindos a voltar,
Assim como uma vez se foram,
Novamente retornarão fim desamparado
E preenchidas
com todo o meu sangue foram os cálices do pecado
A fraqueza que devora faz de mim a morte,
O véu que me cobre é apenas um casulo que liberta o amanhã,
As mãos que oferecem são garras que atravessam e esmagam o coração
Uma oferenda
de sangue e alma revela,
Deus não morreu por mim,
E o vale da tortura e desonra me aguarda,
Esperando sedento pelo dia do encontro
Serei
eu então mais uma alma perdida a perambular?
Acorrentada pela escravidão das trevas,
Amaldiçoada à rastejar por entre as estacas da zombaria
E quando
o sol vermelho do fim dos tempos vier a cair,
Não haverá escolha a não ser caminhar entre os vermes do apocalipse,
Longe da glória de Deus.