




Geração
espontânea
Renan Nuernberger
Quando tinha heróis
cabeçudos na escrivaninha
perguntava todo dia
se eu, Renan, iria vingar
Se vinguei? Não sei
tão bem
Ovo choco chacoalhado
A coalhada que escrevo
e outras tantas rabanadas
entre nadas e outros nadas
é a forma de um acovardado
pálido de tanto papel
tentar demonstrar coragem
Se demonstro? Responda
você
Sou um monstro sem assusto,
sem assunto e sem leitores
vidrados em meus amores
Ou rancores? Por que não?
E por que não eu não diria
que este não e este estar
é o que chamo de poesia?
Se é poesia com certeza?
Não sei
Se agradaria os antigos
medalhões
como Drummond?
Adoraria agradar Drummond!
Mas que pena, faz-me um peso
intransigente,
na escrivaninha, sua cabeça
que desisto de agradá-lo
e guardo-o no armário.